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Notícias 13 de março de 2012

Nasce um anjo

Contarei a curta, porém impactante, história de um anjo. Um anjo azul.

Otávio era um menino diferente. Diferente porque, ainda precocemente, descobriu as agruras de um câncer. Implacável, destruidor.

Enquanto as outras crianças da sua idade brincavam, ele enfrentou um tratamento doloroso. Em vão. Após esgotar todas as alternativas de cura conhecidas, os dedicados médicos que o atendiam no Hospital de Clínicas entregaram seu futuro à Deus. Nada mais poderia ser feito, pois a doença vencera a batalha. O pequeno Otávio começava a cansar. Seu debilitado organismo não lhe dava mais forças para, sequer, caminhar, se alimentar.

Foi este o Otávio que o Instituto Desejo Azul e seu obstinado criador, o meu querido amigo Edu Caminha, encontraram, ao atenderem ao desejo do pobre menino, no hospital. Ele queria uma camisa do Grêmio, seu clube de coração. E ganhou muito mais do que isso: além da camisa e uma bola, recebeu a visita do volante Adilson, o incansável e combativo “alemão” que resguardava a defesa tricolor com um afinco admirável. E que, nesta visita, demonstrou que, junto ao valente e duro marcador, existia uma pessoa doce, meiga, bondosa e sensível. Pois o jogador se emocionou com o menino. E vice e versa.

O resultado foi assombroso, quase inacreditável. Como num passe de mágica, surpreendendo a todos (inclusive ao corpo médico que o atendia), Otávio ganhou um sopro de força, de vida, de ânimo. Alegre, caminhava pelos tristes corredores do hospital, orgulhoso de exibir o seu manto sagrado, a camisa do Grêmio. Voltou a se alimentar, a sorrir.

Foi então que os seus pais novamente procuraram o Desejo Azul para pedir a realização de mais um sonho, uma vontade, deste sofrido menino: assistir a um jogo no Estádio Olímpico e entrar em campo com o time! Desejo atendido e, numa tarde ensolarada de domingo, encontrei – como voluntário do Instituto – aquele bravo gremista no pátio do Monumental. Junto com o meu amigo Carlos Josias, outro voluntário naquela ação, tive a honra de acompanhar o menino até a beira do campo. A alegria transbordante daquela criança me emocionou às lágrimas e me fez refletir o quão covardes somos, ao reclamarmos de qualquer coisa, tendo tudo. Ele, portador de uma doença terminal, com o futuro entregue ao destino pela medicina, que não conseguiu vencer a luta contra o câncer que o atacou, estava radiante, feliz. Era, sem dúvida, a mais feliz de todas as crianças que esperavam, ansiosas, pelos jogadores na boca do túnel. Inacreditável! O Otávio caminhava de um lado para outro, brincava com uma bola, olhava para todos os lados com um brilho no olhar que jamais esquecerei. Até que o nosso capitão Victor o tomou nos braços e, elegante, caminhou com ele no colo até o centro do campo. Otávio se portou como um campeão, acostumado à saudação da torcida. Foi digno, altivo. Honrou a camisa e o boné que vestia, ostentando a paixão pelo seu Grêmio. Depois, subiu para as cadeiras, onde assistiu – no colo da sua dedicada mãe – mais uma vitória do seu time. Festejou os gols, comeu pipoca, sorriu. Como uma criança normal. E feliz!

Este episódio lhe deu uma injeção de ânimo inexplicável, fazendo com que ele pudesse voltar para sua casa, em Pelotas, e retomar a vida como qualquer outra criança. Brincava na rua, se divertia com os amiguinhos.

Até que o câncer, a assustadora e silenciosa doença, surgiu novamente para derrubar o bravo Otávio. Que, ainda assim, na sua fragilidade, lutou como o Adilson, seu ídolo, lutava contra os atacantes adversários. Foi bravo, heróico. Um exemplo!

Quis o destino que ele nos deixasse prematuramente. Mas não sem antes nos dar uma lição de vida. Uma grande lição de vida.

Morreu o menino Otávio. O gremista Otávio.

Mas, nasceu um anjo. Um anjo azul. Que, com certeza está irradiando sua coragem e alegria lá dos céus.

Fica com Deus, meu querido menino. E obrigado por nos mostrar como um vencedor enfrenta a sua luta. Teu exemplo ficará para sempre.

Parabéns, campeão!

Marcelo Aiquel – diretor do IDA

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